Campanha de Shopping no Google Ads: passo a passo para a primeira campanha
Um roteiro prático para montar a primeira campanha de Shopping padrão: o que precisa estar pronto, como dividir os produtos, quanto dar de lance, como limpar as buscas erradas e quando faz sentido migrar para a Performance Max.

Para criar a primeira campanha de Shopping no Google Ads, você precisa de três coisas prontas: uma conta no Merchant Center com produtos aprovados, essa conta vinculada ao Google Ads e a medição de conversões funcionando. Com isso, a campanha leva uns 15 minutos para ser criada. O que define o resultado vem depois: como você divide os produtos, quanto paga por clique e quais buscas você corta.
Este passo a passo é para a campanha de Shopping padrão, que é a que recomendamos para começar porque mostra com clareza o que está vendendo. No fim, explicamos quando faz sentido levar o catálogo para a Performance Max. Se você ainda está decidindo se o Shopping é para a sua loja, comece pelo guia sobre o que é o Google Shopping.
Pré-requisitos: o que conferir antes
- Merchant Center aprovado, com site verificado, frete e devolução configurados e a maior parte dos produtos sem reprovação. Se ainda não chegou lá, siga o passo a passo para criar a conta no Merchant Center.
- Feed revisado. Título, imagem, preço e GTIN fazem o papel da palavra-chave no Shopping. Vale passar pelos erros de feed que mais derrubam campanhas antes de investir.
- Contas vinculadas. O pedido de vínculo feito no Merchant Center precisa ser aceito no Google Ads.
- Conversões medidas. A tag de compra precisa registrar o valor de cada pedido. Sem isso, não há como saber o retorno nem usar lances por ROAS.
- Orçamento definido para pelo menos um mês, sem precisar pausar na segunda semana.
Criando a campanha, passo a passo
Os nomes dos menus mudam de tempos em tempos, mas a sequência é esta:
- No Google Ads, crie uma nova campanha com o objetivo de vendas.
- Escolha o tipo Shopping. O Google vai sugerir a Performance Max; escolha seguir com a campanha de Shopping.
- Selecione a conta do Merchant Center. Ela não pode ser trocada depois.
- Se você tem mais de uma fonte de produtos, escolha quais usar.
- Dê um nome que diga o que a campanha contém, como “Shopping | Todos os produtos”.
- Escolha a estratégia de lances (veja a seção de lances abaixo) e o orçamento diário.
- Na segmentação, deixe apenas o Brasil, ou as regiões onde você entrega.
- Em redes, decida se quer incluir os parceiros de pesquisa do Google. Para começar, desmarcar dá mais controle.
- Crie o grupo de anúncios e defina o lance inicial.
- Revise o resumo e publique.
Três configurações que merecem atenção
Prioridade da campanha. Ela só importa quando o mesmo produto está em mais de uma campanha de Shopping. A de prioridade mais alta (baixa, média ou alta) entra no leilão primeiro, e o orçamento dela é usado antes. Na primeira campanha, deixe como está.
Aquisição de clientes. Existe uma opção para dar lance só para clientes novos. Ela depende de listas de clientes ou de dados de conversão confiáveis para saber quem já comprou. Comece sem ela.
Produtos de loja física. Se o seu Merchant Center também tem estoque de loja física, saiba que, desde 31 de agosto de 2026, o Google ativa por padrão os produtos locais (anúncios de inventário local) em todas as campanhas de Shopping. Se você quer verbas separadas para on-line e loja física, use o filtro de inventário nas configurações da campanha.
Grupos de produtos: como dividir o catálogo
A campanha nasce com um único grupo de produtos chamado “Todos os produtos”, com um lance só para tudo. Isso é ruim: um vestido de R$ 400 e uma meia de R$ 25 acabam pagando o mesmo pelo clique. A solução é subdividir.
Você pode dividir por categoria do Google, tipo de produto (a sua árvore de categorias), marca, ID do item, condição, canal (on-line ou loja física) e rótulos personalizados. Os rótulos personalizados são campos livres do feed, que você preenche com o critério que quiser, como margem, faixa de preço ou “mais vendidos”.
Exemplo: loja de moda com 300 produtos
| Grupo de produtos | Ticket médio | Lance inicial |
|---|---|---|
| Tipo de produto: Vestidos | R$ 280 | R$ 0,90 |
| Tipo de produto: Calças | R$ 190 | R$ 0,65 |
| Tipo de produto: Acessórios | R$ 60 | R$ 0,25 |
| Rótulo: mais vendidos (dentro de cada tipo) | Varia | Lance 20% maior que o do tipo |
| Todo o resto | Varia | R$ 0,30 |
Os valores são ilustrativos. A lógica é que o lance acompanhe o valor do pedido e a margem de cada linha. Não subdivida demais logo de início: grupos com poucos cliques não geram dados suficientes para decidir nada. Comece com cinco a dez grupos e vá abrindo os que recebem mais tráfego, até chegar ao nível de ID do item nos produtos campeões.
Lances: quanto pagar por clique
| Estratégia | Como funciona | Quando usar |
|---|---|---|
| CPC manual | Você define o lance máximo de cada grupo de produtos | Campanha nova, para aprender sem depender da automação |
| Maximizar cliques | O Google busca o máximo de cliques dentro do orçamento | Lojas sem conversões medidas ainda, por pouco tempo |
| ROAS desejado | O Google ajusta os lances para atingir o retorno que você definiu | Quando já há volume de vendas registrado na campanha |
| Maximizar valor da conversão | O Google busca o maior faturamento possível com o orçamento | Quando já há volume e o orçamento é o limite, não o retorno |
Como calcular o lance máximo
Para o CPC manual, parta da conta da sua loja, e não do que o Google sugere:
Lance máximo = ticket médio × taxa de conversão × percentual do faturamento que você aceita gastar em marketing
Exemplo: ticket médio de R$ 200, taxa de conversão de 1,5% e limite de 15% do faturamento em marketing. A conta fica R$ 200 × 0,015 × 0,15 = R$ 0,45. Acima disso, cada venda custa mais do que você aceita pagar. Entenda melhor como o valor do clique é formado no artigo sobre CPC e custo por clique.
Quando a campanha juntar algumas dezenas de vendas no mês, teste o ROAS desejado com uma meta perto do ROAS que ela já entrega. Meta alta demais logo de cara estrangula o alcance.
Termos de pesquisa e palavras negativas
No Shopping você não escolhe palavras-chave. Quem decide para quais buscas o produto aparece é o Google, a partir do feed. Por isso, a principal ferramenta de controle é o contrário: as palavras-chave negativas, que impedem o anúncio de aparecer em buscas que não interessam.
Abra o relatório de termos de pesquisa toda semana no primeiro mês. Procure buscas com cliques e sem venda, e buscas que nunca vão virar compra. Exemplos comuns em uma loja de moda:
- Intenção de fazer em casa: “molde”, “como fazer”, “tutorial”.
- Intenção de não pagar ou de comprar usado: “grátis”, “usado”, “brechó”.
- Produtos que você não vende: “infantil”, se a loja é só adulto; “plus size”, se não há essa grade.
- Marcas que você não tem, quando o Google associa o seu produto a elas.
Cuidado para não negativar demais. Uma palavra como “barato” pode trazer vendas se o seu preço é competitivo. Decida pelos números do relatório, não pela intuição.
O que acompanhar nas primeiras semanas
- Semana 1: confira se os produtos estão recebendo impressões e se não surgiram reprovações novas no Merchant Center.
- Semana 2: primeira limpeza de termos de pesquisa e primeiro ajuste de lances nos grupos que gastaram sem vender.
- Semana 3: abra os grupos com mais cliques em subdivisões menores.
- Semana 4: compare custo e faturamento por grupo e redistribua o orçamento.
Olhe também a taxa de cliques. Produto com muitas impressões e poucos cliques costuma ter título fraco, foto ruim ou preço acima da concorrência. Compare a taxa de cliques entre produtos da mesma categoria, e não com médias genéricas de outras contas.
Quando migrar para a Performance Max
A campanha Shopping Inteligente (Smart Shopping), que muitos tutoriais antigos ainda citam, não existe mais: foi substituída pela Performance Max em 2022. A Performance Max usa o mesmo feed, mas leva os produtos também para YouTube, Display, Gmail e Discover, e decide sozinha onde e quanto investir.
Faz sentido testar quando:
- A campanha de Shopping já gera vendas todo mês com custo dentro do limite.
- A medição de conversões está confiável, com o valor dos pedidos.
- Você tem imagens, textos e, de preferência, vídeos para alimentar os outros canais.
- O orçamento permite rodar a nova campanha por algumas semanas sem cortar a que funciona.
Não é preciso desligar o Shopping padrão. Quando as duas campanhas têm os mesmos produtos na mesma conta, o Google prioriza a que tiver a melhor classificação do anúncio no leilão. Muitas contas mantêm o Shopping padrão para produtos específicos ou para teste. Veja o funcionamento completo no guia de Performance Max.
Uma campanha de Shopping bem estruturada desde o primeiro dia aprende mais rápido e desperdiça menos. Se quiser ajuda para montar a sua ou revisar a que já está rodando, fale com o time de Google Shopping da M2U.


