PageSpeed Insights: como ler a nota e o que realmente melhorar
A nota de 0 a 100 é só metade do relatório, e não é a metade que o Google usa para avaliar o seu site. Veja como ler o PageSpeed Insights e o que vale a pena corrigir.

O PageSpeed Insights é a ferramenta gratuita do Google que mede o desempenho de uma página, em pagespeed.web.dev. O relatório tem duas partes: no topo, os dados de usuários reais dos últimos 28 dias, que mostram se a página passa nas Core Web Vitals; abaixo, um teste de laboratório feito na hora, que gera a famosa nota de 0 a 100 e a lista do que corrigir.
A parte que reflete a experiência real dos seus visitantes, e que o Google usa para avaliar as Core Web Vitals, é a primeira. A nota serve para diagnóstico. Quem persegue nota 100 costuma gastar tempo com ajustes que não mudam nada para o cliente. Abaixo mostramos como ler cada parte e por onde começar a corrigir.
As duas metades do relatório
| Aspecto | Usuários reais (topo) | Diagnóstico (abaixo) |
|---|---|---|
| De onde vêm os dados | Relatório de Experiência do Usuário do Chrome (CrUX), com visitas reais | Lighthouse, que simula um carregamento num servidor do Google |
| Período | Últimos 28 dias | Aquele teste, naquele momento |
| Métricas | LCP, INP, CLS, além de FCP e TTFB | Nota de 0 a 100, com LCP, CLS, FCP, Speed Index e tempo total de bloqueio |
| Muda a cada teste? | Não; atualiza aos poucos | Sim, um pouco |
| Para que usar | Saber como está de verdade | Descobrir a causa e conferir a correção |
Se você ainda não conhece as três métricas principais, vale ler antes o nosso artigo sobre Core Web Vitals. Aqui o foco é o relatório.
Como ler a parte de usuários reais
A primeira coisa que aparece é a avaliação das Core Web Vitals: a página passou ou não passou. Para passar, LCP, INP e CLS precisam estar na faixa boa no 75º percentil, ou seja, em pelo menos 75% das visitas.
Logo acima dos dados, o relatório permite alternar entre esta URL e a origem, que é o site inteiro. Se a página tem poucas visitas, não há dados próprios, e o PageSpeed mostra só os da origem. Se o site todo tem pouco tráfego, essa parte fica vazia, e você trabalha apenas com o teste de laboratório.
Cada métrica vem com uma barra de três cores, mostrando a fatia de visitas boas, médias e ruins. Ela é mais útil que o número sozinho. Um LCP de 2,4 segundos parece ótimo, mas se a barra vermelha ocupa uma fatia grande, uma parte relevante dos visitantes ainda espera demais.
Duas métricas extras aparecem nessa parte:
- FCP (First Contentful Paint): quando aparece o primeiro texto ou imagem. Mostra se a página começa a desenhar cedo.
- TTFB (Time to First Byte): quanto o servidor leva para começar a responder. Se ele está alto, o problema começa na hospedagem, antes de qualquer imagem.
Como a nota de 0 a 100 é calculada
A nota de desempenho é uma média ponderada de cinco métricas medidas no teste de laboratório. Os pesos atuais, segundo a documentação do Lighthouse:
| Métrica de laboratório | Peso na nota |
|---|---|
| Tempo total de bloqueio (TBT) | 30% |
| LCP | 25% |
| CLS | 25% |
| FCP | 10% |
| Speed Index | 10% |
As faixas de cor: de 90 a 100 é verde (bom), de 50 a 89 é laranja (precisa melhorar) e de 0 a 49 é vermelho (ruim).
Repare que o maior peso é o tempo total de bloqueio, que mede quanto tempo o processador fica ocupado com JavaScript durante o carregamento. Ele não é uma Core Web Vital, mas tem relação com o INP: página que trava no carregamento tende a responder mal ao toque. É por isso que sites carregados de plugins e scripts costumam ir mal na nota.
Por que a nota muda a cada teste
Rode o teste três vezes seguidas e você provavelmente verá três notas diferentes. Isso é normal. A própria documentação do Lighthouse lista as causas mais comuns de variação:
- Anúncios e testes A/B que mostram conteúdos diferentes a cada carregamento.
- Mudanças no caminho da internet entre o servidor de teste e o seu site.
- Servidor do seu site mais ou menos ocupado naquele momento.
- Quando o teste roda no seu computador: extensões do navegador, antivírus e outras abas abertas.
Diferenças de poucos pontos não significam nada. Para comparar antes e depois de uma mudança, rode o teste três a cinco vezes e use a mediana (o valor do meio). E lembre que os dados de usuários reais não variam assim, porque refletem 28 dias de visitas.
Celular x computador
O PageSpeed mostra duas abas, e a do celular quase sempre tem nota bem menor. O motivo é o teste: para o celular, o Lighthouse simula um aparelho intermediário com rede móvel limitada e processador mais lento. Para o computador, simula uma máquina com conexão por cabo.
Não desanime com a nota do celular, mas também não ignore. O Google usa a versão para celular para indexar todos os sites, e boa parte dos seus clientes provavelmente compra pelo celular. Se só uma aba puder receber atenção, que seja essa.
O que realmente melhorar
Abaixo da nota, o relatório lista diagnósticos e sugestões. Desde o Lighthouse 13, lançado em outubro de 2025, eles aparecem como insights, agrupados por problema, no lugar da antiga lista de oportunidades. Os nomes mudam de versão para versão; o que importa é a ideia por trás de cada um. Estes são os que mais pesam no resultado real:
- Latência do documento. O servidor demora para entregar o HTML, há redirecionamentos no caminho ou falta compressão. Afeta todas as métricas de carregamento. Correção típica: cache de página, hospedagem melhor, CDN.
- Descoberta da imagem do LCP. O relatório diz qual é o elemento do LCP e se a imagem foi encontrada cedo, se está com carregamento adiado (o que não deveria) e se tem prioridade alta. Costuma ser a correção com melhor relação esforço x resultado.
- Solicitações que bloqueiam a renderização. Arquivos de estilo e scripts que o navegador precisa baixar antes de desenhar qualquer coisa.
- Entrega de imagens. Imagens maiores que o espaço onde aparecem, sem compressão ou em formato antigo.
- JavaScript de terceiros e tarefas longas. Pixels, chats, widgets e o próprio tema ocupando o processador. Afeta o tempo de bloqueio na nota e o INP na vida real.
- Causas de deslocamento do layout. Elementos que se movem durante o carregamento, quase sempre imagens sem dimensão, banners e fontes.
Itens como “reduzir CSS não usado” ou “minificar JavaScript” aparecem com frequência, mas costumam render pouco sozinhos. Ataque primeiro os que mexem no LCP e no JavaScript.
Um padrão que encontramos com frequência em lojas virtuais: o elemento do LCP é a primeira foto de um carrossel na home, inserida por JavaScript e com carregamento adiado. O relatório aponta os três problemas no mesmo insight. A correção, que é deixar essa primeira imagem direto no HTML, sem adiamento e com prioridade alta, costuma caber em uma tarde de trabalho.
Quando a nota não importa tanto
- Quando os dados reais estão bons. Se a página passa nas Core Web Vitals no celular, subir a nota de 70 para 95 tem efeito pequeno para o visitante.
- Em páginas que não recebem tráfego de busca, como área do cliente ou páginas de agradecimento.
- Quando o custo de melhorar é tirar algo que vende. Um vídeo do produto ou um chat que gera vendas pode valer alguns pontos a menos. A decisão é de negócio, não de nota.
- Em comparações com concorrentes. A nota do concorrente num único teste diz pouco. Compare os dados de usuários reais, que ficam disponíveis para qualquer site com tráfego suficiente.
Onde a nota importa é como alerta. Se ela despencou de uma semana para outra, algo mudou: um plugin novo, um banner pesado, um script de campanha esquecido.
Roteiro de 15 minutos para usar o PageSpeed
- Teste a página que mais traz dinheiro, não só a home: a categoria mais vendida, o produto principal ou a página de destino dos anúncios.
- Leia primeiro os dados de usuários reais, na aba do celular. Anote se passa ou não e qual métrica está pior.
- Desça até o diagnóstico e veja qual é o elemento do LCP e o que atrasa a sua exibição.
- Anote os três primeiros insights ligados à métrica pior. Ignore o resto por enquanto.
- Depois da correção, rode o teste algumas vezes e compare a mediana.
- Acompanhe o resultado real no relatório de Core Web Vitals do Google Search Console, que mostra o site inteiro ao longo do tempo.
O PageSpeed é um dos itens do nosso checklist de otimização de sites, ao lado de SEO e conversão. Se o relatório da sua loja ou do seu site mostra problemas de servidor, tema ou excesso de scripts, é o tipo de correção que fazemos no serviço de desenvolvimento de sites, medindo o antes e o depois com os dados reais.


