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Google Analytics 4: como configurar e quais relatórios olhar

O GA4 mede tudo como evento e chega com algumas configurações que precisam de ajuste. Veja como configurar do jeito certo, o que marcar como evento principal e quais relatórios abrir toda semana.

Google Analytics 4: como configurar e quais relatórios olhar

O Google Analytics 4, ou GA4, é a versão atual e gratuita do Google Analytics. Ele mostra quem chega ao seu site, de onde veio, o que fez e se comprou ou entrou em contato. A grande diferença em relação à versão antiga, que deixou de processar dados em 2023, é que no GA4 tudo é evento: ver uma página, rolar, clicar, adicionar ao carrinho e comprar são registros do mesmo tipo.

Para configurar bem, são sete passos: criar a propriedade, criar o fluxo de dados da Web, instalar a tag, revisar a medição otimizada, ajustar a retenção de dados, marcar os eventos principais e vincular o Google Ads e o Search Console. Depois disso, três ou quatro relatórios respondem quase tudo o que um negócio precisa saber. Mostramos cada parte abaixo.

O que muda na prática com o GA4

  • Eventos no lugar de visualizações e metas. Cada ação é um evento com parâmetros. Uma compra, por exemplo, é o evento purchase com o valor, a moeda e os produtos.
  • Eventos principais no lugar das conversões. Em 2024, o Google passou a chamar de “eventos principais” as ações importantes do site. O nome “conversão” ficou para o que é usado no Google Ads.
  • Engajamento no lugar da rejeição. Uma sessão engajada é a que dura mais de 10 segundos, tem um evento principal ou tem duas ou mais páginas vistas. A taxa de rejeição do GA4 é o contrário disso: a porcentagem de sessões que não foram engajadas. Por isso, ela não se compara com a taxa de rejeição antiga.

Como configurar o GA4 passo a passo

  1. Crie a conta e a propriedade. Em analytics.google.com, no Administrador, crie uma propriedade com o nome do site, o fuso horário de Brasília e a moeda real. Fuso e moeda errados distorcem todos os relatórios de horário e receita.
  2. Crie o fluxo de dados da Web. Informe a URL do site. O GA4 gera um ID de medição que começa com G-. É ele que liga o site à propriedade.
  3. Instale a tag. Há três caminhos: a integração nativa da plataforma da loja (Shopify, Nuvemshop, WooCommerce e outras têm), a tag do Google colada no código ou o Google Tag Manager. Escolha só um. Duas instalações juntas duplicam visitas e vendas.
  4. Revise a medição otimizada. No fluxo de dados, ela liga a coleta automática de alguns eventos sem programação. Veja a lista na tabela da próxima seção.
  5. Ajuste a retenção de dados. Em Configurações de dados, Retenção de dados, a propriedade padrão vem com 2 meses. Mude para 14 meses, o máximo na versão gratuita. Isso afeta as explorações, que são as análises personalizadas; sem a mudança, você não consegue comparar períodos longos nelas.
  6. Exclua o tráfego interno. Defina os endereços de IP da empresa como tráfego interno e ative o filtro de dados correspondente. Ele é criado em modo de teste e só passa a excluir quando você o ativa.
  7. Configure as indicações indesejadas. Se o cliente sai para pagar num site de pagamento e volta para a página de obrigado, o GA4 pode creditar a venda ao meio de pagamento. Inclua esses domínios na lista de indicações indesejadas, nas configurações da tag.

Eventos e eventos principais

O que o GA4 coleta sozinho

Com a medição otimizada ligada, estes eventos chegam sem nenhuma linha de código:

OpçãoEventoCuidado
Visualizações de páginapage_viewSempre ativo
RolagensscrollDispara só a 90% da página
Cliques de saídaclickInclui cliques para outros domínios, como WhatsApp
Pesquisa no siteview_search_resultsDepende do parâmetro de busca na URL
Engajamento com o vídeovideo_start, video_progress, video_completeVale para vídeos do YouTube incorporados
Downloads de arquivosfile_downloadPDF, planilhas e outros formatos comuns
Interações com o formulárioform_start, form_submitPode registrar envio que não chegou; confira antes de usar como meta

Os eventos de e-commerce

Loja virtual precisa de mais. O GA4 tem uma lista de eventos recomendados para comércio eletrônico, e os mais importantes são view_item (viu o produto), add_to_cart (adicionou ao carrinho), begin_checkout (iniciou o pagamento) e purchase (comprou). A compra precisa levar o valor, a moeda e o identificador do pedido. Sem o identificador, uma atualização da página de obrigado pode contar a mesma venda duas vezes.

Algumas plataformas, como a Shopify, enviam parte desses eventos pela integração oficial; confira na documentação da sua. Em lojas próprias ou em WordPress, normalmente é preciso configurá-los com o desenvolvedor ou pelo Tag Manager.

O que marcar como evento principal

Evento principal é o que você quer que aconteça mais. Marque poucos, para que os relatórios mostrem o que importa:

  • Loja virtual: purchase. Se quiser acompanhar o meio do caminho, use add_to_cart e begin_checkout nos relatórios, sem marcá-los como principais.
  • Serviços: envio de formulário confirmado (por exemplo, generate_lead disparado na página de obrigado), clique no botão de WhatsApp e clique no telefone.

Para marcar, abra a lista de eventos no Administrador e ative a opção de evento principal no evento escolhido. A documentação do Google sobre eventos principais traz o passo a passo atualizado.

Vincule o Google Ads e o Search Console

Os vínculos ficam no Administrador, na área de vínculos de produtos.

  • Google Ads. Você precisa ser administrador ou editor da propriedade e ter acesso administrativo à conta do Google Ads. Com o vínculo, os dados de custo e clique aparecem no GA4, você pode importar eventos principais como conversões no Google Ads e usar públicos do Analytics em remarketing. Ative a codificação automática, que acrescenta o identificador de clique (gclid) às URLs dos anúncios.
  • Search Console. É preciso ser editor no GA4 e proprietário verificado no Search Console. Cada fluxo da Web se liga a uma propriedade do Search Console, e vice-versa. Depois do vínculo, os relatórios de consultas e de tráfego orgânico do Google não aparecem sozinhos: é preciso publicar a coleção do Search Console na Biblioteca. O guia do Search Console explica a ferramenta em detalhe.

Os relatórios que valem a pena abrir toda semana

O GA4 tem dezenas de relatórios. Na rotina das contas que acompanhamos, estes respondem quase todas as perguntas:

PerguntaOnde olhar
De onde vêm as visitas e as vendas?Aquisição, Aquisição de tráfego, com o grupo de canais padrão da sessão
Quais páginas atraem e prendem as pessoas?Engajamento, Páginas e telas, e o relatório de página de destino
Quais ações importantes estão acontecendo?Engajamento, Eventos, filtrando os eventos principais
Quais produtos vendem e quais só são vistos?Monetização, Compras de e-commerce
Em que etapa as pessoas desistem?Explorar, exploração de funil, com as etapas de produto, carrinho, pagamento e compra

Como ler sem se enganar

  • Compare períodos iguais. Semana com semana, mês com o mesmo mês do ano anterior quando houver sazonalidade.
  • Leia receita junto com volume. Um canal com taxa de engajamento alta e poucas sessões pesa pouco no resultado.
  • Desconfie de origens sem nome. Valores como “(not set)” e “Unassigned” em grande quantidade indicam problema de marcação de URLs ou de instalação.
  • Não espere que o GA4 bata com o Google Ads. Cada ferramenta usa a sua regra de atribuição, que é a forma de decidir qual canal leva o crédito pela venda. O GA4 usa por padrão a atribuição baseada em dados entre todos os canais. É normal os números diferirem. Explicamos isso no artigo sobre ROAS.

Erros comuns que estragam os dados

  1. Tag instalada duas vezes. Plugin mais código no tema, ou integração da loja mais Tag Manager. O sintoma é a taxa de rejeição perto de zero e o número de visualizações por sessão alto demais.
  2. Compra sem valor ou sem moeda. O relatório de monetização fica vazio ou com valores errados, e o Google Ads perde o dado para otimizar por receita.
  3. Evento principal demais. Marcar rolagem, clique em menu e visita à página de contato como principais infla os números e esconde o que vende.
  4. Retenção em 2 meses. Só se percebe meses depois, quando a exploração não deixa comparar o ano anterior.
  5. Pedido pago fora do site sem exclusão de indicação. As vendas aparecem como vindas do site de pagamento, e as campanhas parecem piores do que são.
  6. Ninguém confere a instalação depois de mudanças. Troca de tema, de plataforma ou de checkout costuma quebrar o evento de compra em silêncio. Confira no relatório Tempo real e no DebugView, a tela de depuração do GA4, sempre que algo mudar no site.

Com os eventos certos, o GA4 vira a base para calcular métricas que importam de verdade, como o custo de marketing sobre o faturamento e o desempenho de cada canal. Se você quer uma conta configurada do jeito certo desde o primeiro evento, isso faz parte do nosso trabalho de gestão de tráfego, onde a mensuração vem antes de qualquer campanha.

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