Remarketing: como trazer de volta quem visitou seu site
A maioria das pessoas sai do site sem comprar. O remarketing mostra anúncios para quem já demonstrou interesse. Veja como montar as listas, onde anunciar no Google e na Meta e quantas vezes aparecer sem irritar.

Remarketing é mostrar anúncios para pessoas que já tiveram contato com a sua empresa: visitaram o site, viram um produto, abandonaram o carrinho, assistiram a um vídeo do seu canal ou já compraram. Funciona assim: uma tag instalada no site (a tag do Google ou o Pixel da Meta) registra cada visita e coloca a pessoa em listas que você define. Depois, você usa essas listas para anunciar no Google, no YouTube, no Instagram e no Facebook.
É, em geral, a forma mais barata de conseguir uma venda, porque fala com quem já conhece a marca. Mas tem dois riscos: aparecer vezes demais e irritar, ou levar o crédito por vendas que aconteceriam de qualquer jeito. Este guia mostra como montar as listas certas, onde anunciar, como controlar a frequência e o que a LGPD exige.
Como o remarketing funciona por trás
Tudo começa na tag. Quando alguém abre uma página com a tag do Google, o navegador dessa pessoa é adicionado às listas cujas regras ela cumpre. No Google Ads, essas listas hoje se chamam segmentos dos seus dados. Na Meta, são os públicos personalizados.
Os números que importam para planejar, segundo a Central de Ajuda do Google Ads:
- Duração: cada pessoa fica na lista por 30 dias, por padrão. Você pode estender até 540 dias. Se ela voltar ao site, o prazo recomeça.
- Tamanho mínimo: a lista precisa de pelo menos 100 usuários ativos nos últimos 30 dias para veicular na Pesquisa, no Display e no YouTube.
- Começo do zero: a lista só junta quem visitar o site depois que ela foi criada. Crie as listas antes de precisar delas.
Na Meta, o público de visitantes do site pode guardar pessoas por até 180 dias. Nos dois casos, a tag precisa estar em todas as páginas e disparar também nos eventos importantes, como adicionar ao carrinho e finalizar compra. Se você usa o Google Analytics 4, também dá para criar públicos lá e compartilhar com o Google Ads, como mostramos no guia do Google Analytics 4.
As listas que valem a pena criar
Uma lista única de “todos os visitantes” é o remarketing mais preguiçoso que existe. Quem leu um artigo do blog e quem largou um carrinho com R$ 400 em produtos estão em momentos muito diferentes. Separe pelo comportamento:
| Lista | Regra | Duração inicial | O que mostrar |
|---|---|---|---|
| Carrinho abandonado | Chegou ao carrinho e não à página de pedido concluído | 7 a 14 dias | O produto deixado, frete, formas de pagamento |
| Viu produto | Visitou página de produto e não comprou | 30 dias | O produto visto e similares |
| Pediu orçamento e não fechou | Enviou formulário (lista de clientes vinda do CRM) | 60 a 90 dias | Depoimentos, cases, resposta a objeções |
| Leu conteúdo | Visitou o blog ou páginas de dúvidas | 30 a 90 dias | Apresentação da oferta |
| Compradores | Chegou à página de pedido concluído | 180 dias ou mais | Recompra, reposição, produto complementar |
| Engajou no vídeo | Assistiu a vídeos do seu canal no YouTube | 30 a 90 dias | Próximo passo: visitar o site |
As durações são um ponto de partida. Ajuste ao ciclo de compra do seu negócio: um buquê de aniversário se decide em horas, um sofá em semanas, um serviço jurídico ou uma reforma em meses.
A lista de compradores serve para duas coisas: anunciar recompra e, principalmente, ser excluída das campanhas de aquisição. Mostrar “compre agora” para quem comprou ontem é gastar verba e irritar cliente.
Onde fazer remarketing no Google
Display e Demand Gen
São os banners que aparecem em sites, portais e aplicativos parceiros do Google. É o formato clássico do remarketing e costuma ter o clique mais barato. Para lojas, o remarketing dinâmico puxa do feed do Merchant Center a foto e o preço do produto exato que a pessoa viu.
Uma mudança importante: em maio de 2026 o Google anunciou que a gestão da Rede de Display vai passar para dentro das campanhas Demand Gen, com migração gradual das campanhas existentes. As listas de remarketing continuam funcionando no novo formato, mas vale acompanhar os avisos na sua conta.
YouTube
Você pode mostrar vídeos para quem visitou o site ou para quem interagiu com o seu canal. Um vídeo curto com demonstração do produto ou depoimento de cliente costuma ser o empurrão que faltava para quem já conhece a marca.
Pesquisa com listas
Aqui a lista não gera um anúncio novo: ela muda o comportamento da campanha de Pesquisa quando um visitante antigo volta a buscar no Google. Há dois modos:
- Observação: a campanha continua aparecendo para todos, e você vê separado como os ex-visitantes se comportam. Em lance manual, dá para aumentar o lance para eles.
- Segmentação: a campanha só aparece para quem está na lista. Isso permite usar palavras-chave mais amplas, que seriam caras demais para o público geral, apenas para quem já conhece você.
Performance Max
Na PMax, as listas entram como sinal de público, e sinal não é restrição: a campanha usa a lista como ponto de partida, mas mostra anúncios também para gente nova. Por isso a PMax não é uma campanha de remarketing pura. Explicamos esse funcionamento no artigo sobre Performance Max.
Remarketing na Meta
No Instagram e no Facebook, o remarketing usa o Pixel da Meta no site e, de preferência, a API de Conversões, que envia os eventos do servidor da loja e perde menos dados quando o navegador bloqueia rastreamento. Além dos visitantes do site, a Meta permite criar públicos de quem interagiu com o seu perfil, assistiu aos seus vídeos ou abriu um formulário de cadastro.
Para lojas, os anúncios de catálogo mostram o produto visto, como no remarketing dinâmico do Google. Funcionam bem com foto boa e preço atualizado.
Um resultado que acompanhamos de perto: no case da Team Six, loja de moda on-line, o remarketing no Facebook gerou 52 conversões com menos de R$ 240 investidos em um mês. É o tipo de resultado que o remarketing entrega quando fala com quem já está perto da compra.
Frequência: quantas vezes aparecer
Lista pequena com verba grande é a receita da perseguição. Faça a conta antes de definir o orçamento. Suponha uma lista de 2.000 pessoas, orçamento de R$ 30 por dia e custo de R$ 15 a cada mil impressões. São 2.000 impressões por dia, ou uma por pessoa por dia, cerca de 30 no mês. É demais para quase qualquer negócio.
- Limite de frequência: campanhas de Display (enquanto não migram para a Demand Gen) e de vídeo no Google permitem limitar impressões por pessoa por dia, semana ou mês. A Demand Gen não oferece esse limite, então o controle vem do tamanho da lista e da verba.
- Na Meta: acompanhe a métrica de frequência. Quando ela sobe e o custo por resultado sobe junto, é hora de trocar o criativo ou reduzir a verba.
- Janelas curtas para listas quentes: carrinho abandonado tem pouco valor depois de duas semanas.
- Troque o criativo: o mesmo banner por 60 dias vira paisagem.
Um sinal de que o remarketing está ficando com crédito alheio: o custo por conversão é baixíssimo, mas o faturamento total da loja não muda quando você aumenta a verba. Nessa hora, vale testar desligar uma parte por algumas semanas e comparar.
LGPD e consentimento
O remarketing usa identificadores do navegador e, nas listas de clientes, e-mails e telefones. Isso é dado pessoal pela Lei Geral de Proteção de Dados. Alguns cuidados básicos:
- Banner de cookies que funciona de verdade: se a pessoa recusa os cookies de publicidade, as tags de remarketing não devem disparar. O modo de consentimento do Google ajusta o comportamento das tags conforme a escolha.
- Política de privacidade clara: diga que o site usa cookies de publicidade, com quais empresas e para quê.
- Lista de clientes com base legal: antes de subir e-mails para o Google ou para a Meta, confirme com quem cuida da LGPD na empresa que esse uso está coberto.
- Categorias sensíveis: as políticas do Google e da Meta restringem anúncios personalizados com base em temas como saúde, religião e situação financeira. Clínicas e farmácias, por exemplo, precisam conferir as regras antes de criar listas.
Esses pontos são práticas de mercado, não parecer jurídico. Para o seu caso, converse com o advogado ou o encarregado de dados da empresa.
Por onde começar
- Confira se a tag do Google e o Pixel da Meta estão em todas as páginas e registrando os eventos de carrinho e compra.
- Crie as listas da tabela acima, mesmo que ainda não vá usar todas.
- Comece por carrinho abandonado e produto visto, que costumam dar retorno mais rápido.
- Exclua compradores recentes das campanhas de aquisição.
- Leve o remarketing para uma página que continue a conversa: o produto visto, não a home. Uma boa landing page faz diferença aqui.
- Depois de um mês, compare o custo por venda e o faturamento total antes de aumentar a verba.
O remarketing rende mais quando faz parte de um funil inteiro, com Google e Meta trabalhando juntos e o custo medido contra o faturamento. É assim que montamos as campanhas na gestão de tráfego da M2U, e o mesmo vale para quem quer começar só pela Meta Ads.


